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Lauro de Freitas não tem endereço certo para abrigar seu acervo de memórias

Redação Vilas Magazine - Em 02/02/2020

Aprendemos muito cedo através dos livros de História sobre a evolução humana e suas hipóteses, e como a sociedade se moldou até os dias de hoje. É nos livros de História também que aprendemos sobre a Humanidade, o descobrimento do Brasil, sobre as lutas heróicas de um povo por liberdade entre tantos outros feitos.
 
Todas essas informações são fruto de documentos, pinturas rupestres e relíquias históricas, que estão preservadas em museus, bibliotecas e arquivos públicos. Tais documentos são estudados por anos, e cada descoberta é capaz de trazer um novo fato ou até mudar todo o rumo da História.
 
Mas não podemos, de forma alguma, desconsiderar o papel da história oral, contada por nossos ancestrais, que carregam consigo algo ímpar, o pertencimento, bem como o papel da Imprensa, capaz de levar a informação ao conhecimento de todos.
 
Você já parou pra pensar o que seria de um povo sem memória?
 
Em 2018 a história do Brasil teve uma perda imensurável com o incêndio no prédio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Aqui, em Lauro de Freitas, a história ainda não tem um lugar digno de sua importância, seja um museu ou arquivo público, onde possa ser estudada e preservada a memória do município, nossa evolução. Essa ausência é imensamente sentida por toda a comunidade.
 
Em 2019 a revista Vilas Magazine se uniu ao projeto desenvolvido pela escola municipal Ana Lúcia Magalhães, que lhe rendeu o prêmio no Educa7, de 2018 com a produção do filme documentário “Memórias de Santo Amaro de Ipitanga”, com o propósito de disseminar fatos mantidos pela oralidade de antigos moradores da cidade de Lauro de Freitas, que outrora se chamava Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga. Os relatos de personalidades como dona Aidê e dona Diluca, do bairro de Portão, as beijuzeiras Detinha e Nenzinha, de Areia Branca, seu Firmino e Tião Corredor, de Itinga, e por fim seu Domingos Balaieiro, ajudam a fortalecer, na nova geração, a importância de se criar um vínculo, não com o passado, mas com a identidade de nosso povo.
 
Quem conhece as personalidades ou curiosidades por trás dos nomes de algumas ruas e praças da cidade? Contam os mais antigos, que todas as casas de uma certa rua, no Centro da cidade, eram de palha. Um determinado dia, uma delas pegou fogo, que rapidamente se alastrou, destruindo grande quantidade de casas vizinhas. Por conta desse fato, por anos, a rua que hoje se chama Miguel Santos Silva, era conhecida como a rua do Fogo.
 
A rua José Ernesto dos Santos, aquecida pelo comércio e apelidada pelos frequentadores como ‘Avenida Sete’, já foi rua da Jaqueira, mas hoje não tem uma árvore sequer para contar história.
 
E assim por diante temos a rua da Lama, o beco do Jegue, o beco do Funil, o beco do Bozó, a avenida Beira Rio, a praça de Arcanja, o largo do Caranguejo, o largo do Isaac e tantos outros.
 
Hoje um personagem que pode nos contar parte dessas histórias é o professor Gildásio Freitas, 71 anos, natural de Salvador mas um apaixonado pela história do povo de Lauro de Freitas.
 
Por mais de 30 anos ele guarda documentos, jornais e publicações editadas na cidade, em sua residência e na memória, um verdadeiro acervo histórico de Lauro de Freitas.
 
Gildásio tem curiosidades das quais não têm respostas. Um exemplo é a rua Queira Deus, em Portão. “Conta-se que num certo final de tarde, algumas senhoras conversando na porta de casa, comentou-se que a prefeitura iria asfaltar a rua. Ao que uma delas, da janela, retrucou: - Queira Deus! Mas não tem como saber se de fato foi assim”.
 
Há cerca de dois anos, Gildásio, em parceria com Tobé Veloso, trabalha em um projeto que deu origem à Associação Recreativa Cultural Ambientalista e Social, a ARCAS de Ipitanga. Ainda para este ano está prevista a inauguração de um espaço cultural para onde Gildásio doará todo o seu acervo.
 
“O grande risco da história oral é que um dia as pessoas se vão. Muitos daqueles que me contaram o que hoje sei já se foram. Não acho justo levar isso comigo todo esse conhecimento, como também acho que seja justo que todos esses documentos e jornais que circularam pela cidade e outras relíquias devem estar ao acesso de todos. Conhecer a nossa história é muito importante para todos nós”.
 
Cruzamento da avenida Luiz Tarquínio com a rua do Oriente
 
Praia de Buraquinho, anos 60
 
Aterro com arenoso no trecho entre a ponte e o calçamento da entrada principal da cidade
 
Praça da Matriz, anos 50
 
Rua Queira Deus, em Portão nos anos 60

 

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