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Carta aberta à prefeita Moema Gramacho

Carlos Accioli Ramos - Diretor-editor - Em 06/03/2020

Ao longo de 20 anos a revista Vilas Magazine tem acompanhado a vida de Lauro de Freitas, prestando serviços à comunidade que aqui reside, inclusive por meio do parque empresarial da cidade, que tem nesta revista o único veículo impresso local onde anunciar seus produtos e serviços.
 
Já construíamos este veículo de comunicação quando a senhora era deputada estadual, logo depois de ter sido vereadora em Salvador. Assistimos à sua chegada ao meio político da cidade, quando renunciou àquele mandato parlamentar para assumir a prefeitura local. E desde então acompanhamos a sua destacada carreira política.
 
Vimos a transformação, sempre para melhor, operada nesta Santo Amaro de Ipitanga ao longo dos seus dois primeiros mandatos como prefeita de Lauro de Freitas. São inegáveis os avanços sociais e o fortalecimento da infraestrutura urbana da cidade naquelas suas duas gestões.
 
Testemunhamos a sua partida para Brasília em 2015, quando se elegeu deputada federal e o seu retorno dois anos depois, quando voltou a vencer a disputa pela prefeitura de Lauro de Freitas. Certamente a senhora será candidata à reeleição este ano e vamos continuar acompanhando a sua trajetória, que já deixou marcas históricas na cidade.
 
Se não lhe rendemos permanentes homenagens nas páginas da revista é porque seria descabido. Para essa tarefa não falta quem aceite sobreviver dos favores do poder público, disfarçados de “jornalismo”. Não é o caso da Vilas Magazine.
 
Acreditamos que prestamos melhor serviço à cidade e mesmo à sua gestão ao noticiar criticamente as venturas e desventuras da prefeitura. Assim, podemos garantir ao público que nenhuma leitura eventualmente positiva estará contaminada pela suspeita do interesse próprio. Tudo isso concorre também para seu benefício.
 
Trabalhamos, como é evidente, dentro dos limites que a nossa autonomia financeira permite. O turbilhão econômico – e agora, ainda por cima, também político – em que o país foi envolvido, afeta a todos de forma quase igual. Haverá sempre, claro, quem lucre com a desgraça alheia – e o faça com o semblante mais cínico que se possa imaginar. Em geral, são os que se encontram em posição de subjugar e explorar o próximo, como mostra a história desta grande Nação.
 
O fato, lamentações à parte, é que não dispomos de aparato administrativo ou de produção editorial que nos permita competir com certas “máquinas de propaganda”. A cobertura crítica da prefeitura que eventualmente levamos ao público é uma gota num oceano de permanentes elegias à sua administração. Hoje, no Brasil, qualquer pessoa minimamente alfabetizada, com acesso à Internet, pode fundar um “veículo de comunicação”, passando a intitular-se repórter, jornalista.
 
A isso somam-se dezenas de grupos de WhatsApp, fora os onipresentes “feicebuques” e “istagrãs”, nos quais supostas notícias são difundidas com o objetivo de desinformar uma multidão de incautos, segundo os interesses particulares de cada um.
 
Há 20 anos, quando nos lançamos nesta lida, as pessoas sorriam de opiniões proferidas por personagens sem qualificação para opinar. Hoje, qualquer barbaridade ganha ares de coisa válida. Estamos convencidos de que essa nova realidade veio para ficar. E de que a única forma de resistir ao fim do juízo perfeito é continuar editando o noticiário de forma responsável, profissional, sem nunca aderir ao “Febeapá”, o festival de besteira que assola o país.
 
O jornalista Sérgio Porto não viveu o suficiente para testemunhar a normalidade democrática, mas deixou precioso aviso ao registrar o nosso triste passado. Desgraçadamente, poucos de nós o leram – o que certamente contribuiu para que o festival retornasse mais espetaculoso do que Stanislaw poderia ter imaginado, mesmo nas suas crônicas mais inspiradas.
 
Sabemos que a senhora reconhece todo esse estado de coisas e que valoriza o nosso trabalho – que jamais deixou de noticiar os fatos e ações que merecem divulgação ao longo de todas as gestões que acompanhamos –, ainda que a prefeitura prefira não programar a revista Vilas Magazine. A senhora exclue os leitores da revista do acesso à informação das ações oficiais, para as quais existem verbas previamente alocadas e destinadas a esse fim.
 
Estamos certos de que terá sido uma decisão tomada em nome do interesse público, embora não possamos vislumbrar de que forma isso se dá, mas temos certeza absoluta que a senhora tem noção que somos um canal de forte e qualificada presença na comunidade. E é nesse viés que estranhamos a sua avaliação.
 
Mas é oportuno lembrar que verbas públicas destinadas para divulgação de ações de gestões públicas não devem servir como moeda de troca para contemplar ‘veículos amigos’. Essa prática, além de caracterizar nanismo de gestões, exclue a informação descompromissada. A senhora bem sabe disso.
 
Talvez o ‘nosso castigo’ se prenda no fato de não adjetivarmos informações oficiais, não apenas das suas, mas de todas as gestões que lhe antecederam – entre elas duas sob seu comando –, com elogios desalinhados, recurso tão indecorosamente manipulado por pseudos ‘veículos de comunicação’.
 
Seja como for, ainda estamos aqui, de pé, exercendo com dignidade nosso ofício. E permanecemos à disposição para continuar a contribuir para a sociedade de Lauro de Freitas – um desejo que certamente temos em comum.
 
Os meus respeitos.
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