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SEIS MESES DE PANDEMIA - Cenário da luta contra 2 inimigos letais: o vírus e suas consequências

Thiara Reges - Em 01/09/2020

Medidas para evitar a proliferação do Covid-19 foram implantadas de imediato pela Prefeitura de Lauro de Freitas. Locais públicos de maior circulação de pessoas, como praças, pontos e terminais de ônibus, e demais equipamentos públicos, passaram a ser higienizados, a partir da pulverização
de uma solução de hipoclorito de sódio.
 
O que aconteceu em nossas vidas nos últimos seis meses? De um lado, parece que o tempo acelerou - afinal já estamos em setembro de 2020 -, nos frustramos ao pensar nas inúmeras formas de como poderíamos ter usado melhor o nosso tempo, não fossem as restrições impostas pelo novo coronavírus. E quanto esforço teremos que fazer para recuperar os estudos, vida financeira e tudo mais que está em stand by.
 
Desde a confirmação do primeiro caso positivo de Covid-19 na Bahia, em 6 de março, ocorrido em Feira de Santana, se passaram seis meses, e o que presenciamos foi uma corrida contra o tempo na tentativa de sanar as deficiências crônicas do sistema público de saúde, não apenas na Bahia mas em todo o país, e minimizar o número de vítimas fatais.
 
Segundo os dados do Consórcio de Veículos de Imprensa, liberados dia 25 de agosto (data do fechamento editorial desta edição da Vilas Magazine) o Brasil registrava 115.451 mortes e 3.627.217 casos positivos. Em números exatos, a Bahia, naquele momento, era o sexto estado com o maior número de mortes - 4.981 pessoas - e registrando um crescimento de 30% na média móvel.
 
Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, por estar tão perto de Salvador e também por ser uma cidade de passagem, que liga moradores e turistas às praias do Litoral Norte, não esteve imune aos casos de Covid-19.
 
O primeiro caso positivo foi registrado ainda em março e de imediato a gestão municipal adotou as primeiras medidas restritivas: escolas, comércios não essenciais, empresas, tudo parou.
 
Tivemos que aprender a conviver com as restrição de uso de áreas públicas, como praças e praias, restrição de circulação noturna, ‘toque de recolher’ e lookdown por regiões. O álcool em gel e as máscaras passaram a compor a lista de ítens básicos na vida de qualquer pessoa.
 
Será que com tudo que já vivemos nesses seis meses estamos preparados para retomar a normalidade da vida, sem uma vacina eficiente?
 
Reabertura das atividades econômicas não é garantia de retomada da vida normal
Antonio José Lima, o Bello, é um dos comerciantes mais conhecidos de Vilas do Atlântico. Sua loja de ferragens, na Av. Luíz Tarquínio, funciona há mais de 25 anos, período em que o empresário presenciou várias transformações e flutuações na economia da cidade, sendo possível afirmar que este é o período mais complexo já vivido. “Complexo de forma geral, pois estamos lidando com o inimigo invisível, o vírus, e também o visível, em diferentes formas: fome, falência, empresários fechando as portas por estarem sem recursos e sem incentivos governamentais. Tenho fornecedores, por exemplo, sem matéria-prima para finalizarem pedidos. Sinceramente não sei quando e como voltaremos ao normal ou ao ‘novo normal”, frisa Bello (foto).
 
Em 27 de julho foi iniciado o protocolo de reabertura das atividades não essenciais, de forma conjunta entre as cidades da Região Metropolitana. A realização dessa primeira etapa de normalização dos serviços, estava condicionada ao índice de ocupação de leitos de UTI&39;s exclusivos para Covid-19 no estado, que não poderia ser superior a 75%. O estado não apenas alcançou a meta como, ao longo dos dias seguintes, diminuiu o índice, até que, no dia 12 de agosto, fosse possível iniciar a segunda etapa do protocolo.
 
Então, após mais de quatro meses com as atividades paralisadas ou funcionando apenas em delivery e drive-thru, lojas de varejo, pequenos centros comerciais e até o Parque Shopping Bahia, além de bares e restaurantes, salões de beleza e academias de ginástica, receberam autorização para retomarem suas atividades, mesmo que com limitação de horário. Apesar de parecer um avanço, o cenário é tão incerto que não sabemos ainda se existem motivos para comemorar. “Foi e não foi uma retomada de atividades, não percebo mudança nos resultados. De forma geral todos ainda estamos cautelosos, sem sabermos exatamente o que nos espera no futuro”, diz Bello.
 
Para a reabertura, os empresários tiveram que fazer investimentos e se adaptar às medidas de segurança, que vão desde o uso obrigatório de máscaras para funcionários e clientes, oferta de álcool em gel e pia com água e sabão, para higienização das mãos, distanciamento de pelo menos 1,5 metro entre as pessoas, diminuição da capacidade máxima de pessoas simultaneamente, rigoroso sistema de higienização de mesas, cadeiras e tudo mais que seja tocado, dentre outras.
 
Pela sua larga experiência empresarial, Bello acredita que ainda estamos longe de alcançarmos uma estabilidade na economia local, até porque isso está muito além da reabertura das portas. “A estabilidade almejada depende de fatores que fogem de nossas ações. Depende inicialmente de uma vacina e projetos governamentais eficazes para incentivar as micro e pequenas empresas, afinal são elas que movem a nossa economia”, concluiu.
 
 
Ainda estamos longe do nível ideal 
A saúde, sem dúvida, é uma das áreas mais desafiadas, afinal o vírus não faz distinção de idade, sexo ou classe social, o que exige um grande empenho, seja da gestão pública, como também das unidades de atendimento particular. Além disso, em um país continental, o avanço do vírus aconteceu em momentos distintos em cada estado, existindo assim uma flutuação entre aqueles que precisam de mais atenção.
 
A Bahia, por exemplo, de 20 a 25 de agosto, se manteve na lista dos estados com o maior índice de mortes por dia. Informações fornecidas pela Secretaria de Saúde apontam que já passamos pelo estágio mais complicado, que aconteceu no mês de maio, quando a oferta de leitos ainda não era suficiente. Quanto ao número de mortes, trata-se de uma atualização de dados e não de novos casos que estejam acontecendo agora.
 
Como todas as cidades do Brasil, Lauro de Freitas foi se transformando, para minimizar os impactos, com a criação de novas unidades de saúde, estratégias de testagem, além dos protocolos de segurança. Mesmo assim, a curva de novos casos positivos e também de mortes, continua no sentido crescente.
 
Apesar de não ser o cenário ideal, o coordenador da Comissão de Combate ao Coronavírus, Vidigal Cafezeiro, destaca que as estratégias adotadas pela gestão municipal, como a criação do PA Santo Amaro de Ipitanga, além das unidades de referência a saúde básica, promovendo educação e triagem, apresentaram ótimos resultados no que diz respeito a controlar o avanço do vírus na cidade.
 
Como tudo é muito novo, foram seis meses também de aprendizado, com muitas dúvidas e incertezas: Como o vírus se comporta? Quais as formas de transmissão? Uma vez contaminados, estamos imunes?
 
“Sobre o comportamento do vírus sabemos que é altamente contagioso, com uma patogenia ainda desconhecida, porém se estabelecendo cada vez mais com a teoria da angiotensina. Nem a própria transmissão está 100% fechada, mas sabemos que se dá principalmente por aerossóis e em menor porcentagem por fômites (objetos inanimados que podem levar e espalhar a doença e agentes infecciosos. Fômites pode igualmente ser chamado vectores passivos)”, explica Vidigal Cafazeiro.
 
Enquanto uma vacina não é aprovada, Vidigal acredita que o importante é se manter vigilante, moldando a estratégia de combate a cada dia. “A estratégia está sendo executada e modelada diariamente, a vigilância não pára, a pandemia ainda não acabou e nós seguimos tendo atenção nos níveis de contaminação e dando suporte ao comércio e educação nos seus planos de retomada. Estamos melhores, mas ainda muito longe mesmo do nível ideal”, concluiu.

 

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