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O Natal será de desafios para quem vende e quem compra

Thiara Reges - Em 02/12/2020

Em um ano de tantos desafios para a economia, comerciantes projetam grande expectativa para as vendas de Natal. Isso já é perceptível quando passeamos pelos shoppings ou pelas principais avenidas da cidade: vitrines decoradas, muitos tons de vermelho e dourado e o redobrado esforço para não perder vendas, garantindo junto aos fornecedores os produtos que os clientes desejam.

Mas alguns fatores, como a disparada do dólar, a alta taxa de desemprego, a queda na renda mensal das famílias e todas as incertezas vividas por conta da pandemia, sobretudo pelos pequenos empresários, podem comprometer a festa. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a projeção é de uma retração de 3% a 5% nas vendas do Natal, a primeira queda em quatros anos neste período.

Para os sindicatos da classe, em todo o país, ainda não é hora de “entregar os pontos”, pois seguindo boas estratégias de mercado e marketing é possível garantir sucesso nas vendas.

Esse é o pensamento de David Lee, CEO da Le biscuit. Para enfrentar a pandemia a empresa investiu em ampliação da rede física e expansão das franquias, e se sente pronta para as vendas do Natal. “Tivemos um excelente resultado no Dia das Crianças, quando observamos uma grande procura por brinquedos relacionados a atividades ao ar livre, como patinetes e triciclos, e agora estamos prevendo crescimento nas vendas para o Natal, que é o momento de reunir a família e as pessoas que amamos”.

Augusto Gomes, diretor de suprimentos da empresa AGomes, que oferece em suas duas lojas - em Salvador e Lauro de Freitas - itens em segmentos variados, frisa que “muitos comerciantes ficaram receosos em investir para o Natal deste ano, devido a pandemia e também pela falta de produtos importados, que não chegaram a tempo, principalmente os da China. Acredito que as vendas serão menores devido a própria situação do país, mas de fato só dá para avaliar quando encerrar o ano. Até o momento, aparentemente, o movimento não está ruim".

Para o setor de alimentos, os impactos da pandemia na indústria acabam refletindo diretamente na mesa do consumidor. Nos produtos diretamente relacionados ao segmento, já é fato, por exemplo, escassez da carne de porco e do alumínio, que impactou na produção de embalagens nos principais fornecedores de refrigerante e cerveja. Isso porque, com a alta do dólar, a indústria, mesmo desabastecida, mirou os olhos no mercado externo.

E de repente os comerciantes se viram adotando a mesma estratégia usada antes da implantação do plano real, em 1994: fazer estoque. “Desde o início do plano real o grande mantra do comércio era apenas estoque regulador, mas hoje o comportamento está diferente. Tivemos que abastecer nosso estoque, com receio do desabastecimento do mercado, de modo que já temos garantida toda nossa necessidade de produtos para as festas de fim de ano, como peru, pernil e embutidos. Vamos manter a mesma estratégia de vendas do ano passado, disponibilizando sempre para os clientes os produtos característicos das ceias, de Natal e Ano Novo. Acreditamos que nada faltará para nossos clientes esse ano", conta Eduardo Carballo, diretor comercial da tradicional delicatessen Bella Massa, de Vilas do Atlântico.

O casal de empresários, Arilton e Ana Cleide, da Pão Express, de Vilas do Atlântico, frisam que toda a cadeia produtiva ficou prejudicada e que a base para muitos produtos ficará comprometida por um bom tempo, em sua origem ou durante a logística. Para garantir o atendimento do Natal, a empresa seguiu com os ajustes já implantados por conta da pandemia, como a requalificação do espaço físico e o delivery, além de exaustivas negociações com os fornecedores. “Pensamos o Natal como uma época especial em todos os sentidos, daí fizemos negociações com fornecedores para oferecer aos nossos clientes o melhor, com valor justo. Você pode receber no conforto de seu lar ou se desejar vir até a loja escolher entre panetones, chocotones, roscas, tábua de frios, peru confeitado, além de uma adega de vinhos com rótulos nacionais e importados. Nos preparamos para o período e aguardamos bons resultados em vendas", desabafa Ana Cleide.

Indo às compras
E os desafios deste Natal não serão apenas para os comerciantes. Quem gosta de presentear vai precisar gastar muita sola do sapato e pechinchar bastante. Primeiro porque, apesar dos esforços dos comerciantes, em algumas lojas é possível perceber menor variedade de produtos, além de preços bem mais salgados, principalmente se os itens tiverem componentes
importados.

No intervalo de 12 meses, de setembro de 2019 a setembro de 2020, o dólar subiu mais de 35%, e isso reflete em vários produtos que encontramos nas prateleiras. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a televisão e os notebooks, eletrônicos que estão entre os mais procurados, tiveram alta de 11,58% e 16,9%, respectivamente.

Para Priscila Oliveira, uma apaixonada pelo Natal, que não abre mão de presentear a sua família, a pandemia não vai alterar muito os seus planos. “Tem alguns presentes que não deixo de comprar para pessoas muito próximas, independente da situação financeira, como para meus pais, minha irmã, meus sogros, meu esposo. E são presentes que escolho a partir da necessidade da pessoa, de uma forma muito clara. Se meu pai, por exemplo, quer algo que eu sozinha não consiga comprar, divido o presente com minha mãe e minha irmã, mas pelos menos sabemos que é algo que será utilizado", conta.

Ela destaca ainda que alguns itens podem sair de sua lista, mas por conta das mudanças no formato das comemorações do Natal, para evitar aglomeração. “Ainda não sei se poderei me encontrar com todas as pessoas que desejo. Se não podemos estar juntos, não tem sentido comprar presentes que não terei como entregar".

De suas idas ao shopping, Priscila não está tão certa de que as vendas do Natal serão fracas. “As vez que fui ao shopping percebi lojas cheias, muitas pessoas com sacolas, comprando eletrônicos, que são itens que tiveram alta nos preços. Então não sei se é a energia do Natal, o sentimento de união e família, mas as pessoas não me parecem preocupadas em economizar neste período", conclui.

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