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“Vai virar jacaré?” Janeiro de 2021 é marcado pelo início da vacinação contra covid-19 no Brasil

Thiara Reges - Em 01/02/2021

Por mais que estivéssemos todos tão ansiosos pela chegada de 2021, e a aprovação, em 17 de janeiro, pela Agência de Vigilância Sanitária - Anvisa, para o uso emergencial das vacinas CoronaVac, da Sinovac e do Instituto Butantan, e a da Oxford-AstraZeneca, produzida pela Fiocruz, reforçasse ainda mais esse sentimento, nem todas as notícias de janeiro trouxeram alento às pessoas. O país ultrapassou a marca dos 200 mil mortos por Covid-19, o segundo maior em número exatos, sendo superado apenas dos Estados Unidos.

À medida que os dias foram passando, acompanhamos pelos noticiários e sofremos junto com a população de Manaus e todo o caos na saúde pública, com falta de oxigênio nas unidades de atendimento e também para pacientes em tratamento domiciliar, fazendo várias vítimas fatais. Enquanto isso, na Bahia, apesar da estabilidade no número de mortes, vimos a linha crescente de novos casos, batendo, em 21 de janeiro, o recorde, desde o início da pandemia, na média móvel de novos casos, com mais de 4,3 mil por dia.

Segundo os infectologistas, a alta no número de casos é o resultado das confraternizações de final de ano, com estimativa de crescimento por pelo menos 50 dias. É que antes de ter o diagnóstico, as pessoas podem ter tido contato com mais pessoas, e assim se mantém a linha de contágio.

Se por um lado os números refletem as ações de parte da população, que não respeita o cuidado próprio e com o outro, negligenciando o uso de máscaras e seguindo com indiferença normalidade suas vidas sociais, por outro, gestores públicos, que deveriam dar exemplo e tratar a pandemia com a seriedade que ela requer, hora travam verdadeiras disputas por visibilidade, muito mais preocupados com os frutos que podem colher no futuro, em explícito jogo de marketing, hora fazem declarações dignas de ‘meme’ levando grande parte da população a afirmar que não vê a hora de “virar jacaré”.

Por mais que às vezes pareça difícil acreditar, e quem já precisou de atendimento pelo SUS entende esta observação, o Brasil possui o maior sistema de saúde pública do mundo e mais de 10 anos de experiência em campanhas de vacinação em larga escala, o que deveria nos dar certa tranquilidade neste processo. Mas, nem bem a vacinação começou, casos de corrupção vieram à tona, com pessoas fora do grupo prioritário se apropriando de seus cargos em prefeituras, ou da amizade com quem trabalha nelas, para furarem as filas de vacinação.

Em janeiro vimos também a emoção do Secretário de Saúde da Bahia, o médico Fábio Vilas-Boas, ao aplicar, no dia 19, a vacina na enfermeira Maria Angélica de Carvalho Sobrinho, de 53 anos, primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 em solo baiano; e também a emoção da técnica em enfermagem Eliene da Cruz, 56 anos, a primeira a ser imunizada em Lauro de Freitas.

Vale lembrar que a vacina, uma conquista histórica da ciência, não pode ser entendida como passe livre ou salvo conduto. A vacina é segura e eficaz, mas apenas quando 70% da população estiver vacinada é que alcançaremos a chamada imunização de rebanho.

Apesar do Instituto Butantan e da Fiocruz estarem prontos para produção interna, vislumbrando inclusive uma futura exportação da vacina, visto que, somadas, a meta de capacidade produtiva ultrapassa a marca de 50 milhões de doses por mês, tudo depende da chegada dos insumos da China, que até o fechamento desta edição (25/1) ainda não tinha sequer data marcada, afetando a produção de ambos.

O fato é que nos últimos dois anos o Governo Federal, por meio de declarações inoportunas e inadequadas de seus representantes e apoiadores, estremeceu as relações internacionais com alguns países, a exemplo da China, que chegou a ser apontada como responsável pelo vírus.

Numa tentativa de ampliar a oferta e driblar a falta, cada vez mais eminente, das vacinas CoronaVac e Oxford-AstraZeneca no Brasil, o Governo da Bahia segue pressionando a Anvisa, através de ação judicial protocolada no Supremo Tribunal Federal, para a liberação da vacina russa Sputnik V, já em uso em países da América Latina, como a Argentina, e na União Européia, pela Hungria. A Bahia já tem um contrato de prioridade para recebimento de até 50 milhões de doses da vacina Sputnik V, que recentemente apresentou índice de eficácia superior a 90% segundo os testes realizados. Para o Governador Rui Costa, o que se percebe é o “ritmo da burocracia e não no ritmo necessário para salvar vidas humanas”.

Então, a vida segue em 2021, na prática, com pouca diferença em relação ao que vivemos em 2020: devemos nos manter, sempre que possível, em casa, respeitando o distanciamento social, atentos à todas as medidas de segurança e higienização, não esquecendo da máscara.

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